Foto: Alex Ribeiro / Ag. Pará

Desempenho Criativo dos Estudantes: Brasil em Posição Inferior em Ranking da OCDE

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) publicou uma pesquisa inovadora no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) 2022, que avalia a capacidade de pensamento criativo de estudantes em 64 países. Este estudo, intitulado “Mentes criativas e escolas criativas”, revela dados preocupantes para o Brasil, que ficou na 49ª posição, significativamente abaixo da média dos países da OCDE. A liderança ficou com Singapura, destacando-se como um modelo a ser seguido.

Contexto e Objetivos da Pesquisa

A pesquisa da OCDE partiu do princípio de que o pensamento criativo é essencial para preparar os jovens para um mundo em constante transformação. Avaliando estudantes de 15 anos, o estudo focou na competência dos alunos para se envolverem na geração, avaliação e aprimoramento de ideias originais e diversas. A proposta é que o pensamento criativo deve ser integrado aos currículos escolares para formar cidadãos capazes de solucionar problemas complexos e inovar em diferentes contextos.

Resultados Globais: Líderes e Desafios

Singapura lidera o ranking com 41 pontos, seguida por países como Coreia do Sul e Canadá, ambos com 38 pontos. Outros países que se destacaram foram Austrália, Nova Zelândia, Estônia, Finlândia, Dinamarca, Letônia, Bélgica, Polônia e Portugal. A média dos países da OCDE ficou em 33 pontos. Estes resultados refletem um forte compromisso desses países em valorizar e integrar o pensamento criativo em suas práticas educacionais.

Desempenho do Brasil

Com apenas 23 pontos, o Brasil encontra-se na 49ª posição, muito abaixo da média da OCDE. Este desempenho reflete a lacuna significativa entre os melhores e os piores desempenhos no ranking global. A OCDE destacou que há uma grande disparidade na capacidade dos estudantes de pensar criativamente, com apenas 50% dos alunos conseguindo propor ideias originais para tarefas simples de imaginação ou resolução de problemas cotidianos. No Brasil, essa proporção é ainda menor.

Fatores que Influenciam o Desempenho

A pesquisa revelou que fatores como gênero e condições socioeconômicas influenciam o desempenho no pensamento criativo. Meninas tendem a se sair melhor do que meninos, possivelmente devido ao maior hábito de leitura. Além disso, alunos de melhores condições socioeconômicas apresentam uma pontuação média 9,5 pontos superior em comparação aos menos favorecidos. A disparidade é maior em tarefas que envolvem expressão escrita e desenvolvimento de ideias.

Ambiente Escolar e Pedagogia

O ambiente escolar também desempenha um papel crucial. Estudantes que frequentam regularmente atividades como artes, teatro, redação criativa ou aulas de programação tendem a ter um desempenho melhor em pensamento criativo. Nos países da OCDE, 60% a 70% dos estudantes relatam que seus professores incentivam respostas originais e a expressão de ideias, resultando em notas mais altas em criatividade.

Conclusão

Os resultados do PISA 2022 trazem uma mensagem clara para o Brasil: é urgente repensar e reforçar as práticas educacionais para incluir e valorizar o pensamento criativo. Países como Singapura, Coreia do Sul e Canadá demonstram que é possível integrar criatividade ao currículo escolar, formando estudantes preparados para enfrentar desafios complexos e inovar. Para o Brasil, essa adaptação é crucial para fechar a lacuna existente e melhorar a competitividade global.

Referências

  • PEDUZZI, Pedro. “OCDE avalia pensamento criativo de estudantes em 64 países”. Agência Brasil, 18 de junho de 2024.
  • OCDE. (2024). Mentes criativas e escolas criativas: Resultados do PISA 2022. Paris: OCDE.

Sobre marcelo barros

Jornalista (MTB 38082/RJ). Graduado em Sistemas de Informação pela Estácio de Sá (2009). Pós-graduado em Assessoria de Comunicação (UNIALPHAVILLE), MBA em Jornalismo Digital (UNIALPHAVILLE), Administração de Banco de Dados (UNESA), pós-graduado em Gestão da Tecnologia da Informação e Comunicação (UCAM) e MBA em Gestão de Projetos e Processos (UCAM). Atualmente é o vice-presidente do Instituto de Defesa Cibernética (www.idciber.org), editor-chefe do Defesa em Foco (www.defesaemfoco.com.br), revista eletrônica especializado em Defesa e Segurança, co-fundador do portal DCiber.org (www.dciber.org), especializado em Defesa Cibernética. Participo também como pesquisador voluntário no Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da Escola de Guerra Naval (EGN) nos subgrupos de Cibersegurança, Internet das Coisas e Inteligência Artificial. Especializações em Inteligência e Contrainteligência na ABEIC, Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa na ESG, Curso Avançado em Jogos de Guerra, Curso de Extensão em Defesa Nacional na ESD, entre outros. Atuo também como responsável da parte da tecnologia da informação do Projeto Radar (www.projetoradar.com.br), do Grupo Economia do Mar (www.grupoeconomiadomar.com.br) e Observatório de Políticas do Mar (www.observatoriopoliticasmar.com.br) ; e sócio da Editora Alpheratz (www.alpheratz.com.br).

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