Lauro Alves/ Secom

Efeito Katrina: Risco de crise de segurança no RS após tragédia climática

As intensas chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul recentemente trouxeram não apenas destruição física, mas também acenderam um alerta sobre possíveis crises de segurança pública. O cenário pós-desastre apresenta semelhanças alarmantes com a situação vivida em Nova Orleans após a passagem do furacão Katrina em 2005. Especialistas alertam para o risco de aumento significativo nos índices de criminalidade, um desafio adicional para o estado que vinha registrando queda constante nos índices de criminalidade.

Impacto Imediato e Medidas de Contenção

Com a retração das águas, o estado se depara com a difícil tarefa de manter a ordem pública e a segurança em meio ao caos. Nos dias seguintes à inundação, diversas localidades registraram casos de saques, arrombamentos e outros delitos. Para mitigar essa onda de crimes, agentes de segurança de outros estados foram deslocados para o Rio Grande do Sul, evidenciando a gravidade da situação.

Os dados da Secretaria Estadual da Segurança Pública mostram uma diminuição significativa nos índices de roubos e homicídios em maio de 2024, comparado ao mesmo período do ano anterior. Contudo, essa queda pode ser temporária, causada pela mobilidade reduzida devido às inundações. O professor Cristiano Oliveira, da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), destaca a possibilidade de subnotificação de crimes, já que muitos incidentes podem ser reportados apenas após o retorno da população às suas residências.

Ameaças de Longo Prazo

O cenário econômico desolador pós-chuvas pode agravar a situação de segurança pública no médio prazo. A perda de renda e a desaceleração no comércio são fatores que historicamente contribuem para o aumento da criminalidade. No contexto do Rio Grande do Sul, facções criminosas podem intensificar suas atividades para compensar a queda na arrecadação, entrando em conflito pelo controle de territórios e diversificando suas práticas ilícitas, como o roubo de cargas.

Relatos de moradores e voluntários sobre ameaças de organizações criminosas durante os esforços de resgate corroboram a gravidade do cenário. Essas facções, ao cercearem o trabalho de socorro, dificultaram a retirada de pessoas das áreas afetadas, criando um ambiente ainda mais hostil para a recuperação da normalidade.

Mobilização e Resposta Governamental

A Secretaria da Segurança Pública, sob a liderança de Sandro Caron, mantém uma postura de otimismo cauteloso, afirmando que as especulações comparativas com outras tragédias não são produtivas. Medidas estão sendo implementadas para evitar um aumento nos crimes patrimoniais e enfraquecer os grupos criminosos através de investigações intensivas.

Desde o início dos temporais, mais de 1.500 agentes de segurança de diversos estados foram enviados ao Rio Grande do Sul para auxiliar as forças locais. Este reforço é vital, considerando a exaustão física e mental dos agentes locais, muitos dos quais também foram afetados pelas enchentes.

Desafios Futuros e Recomendação de Políticas

O fluxo migratório decorrente da tragédia e a necessidade de acomodação provisória da população são fatores que podem contribuir para uma escalada na criminalidade. É crucial que as políticas de reassentamento mantenham as pessoas o mais próximo possível de suas residências originais, garantindo acesso a serviços essenciais como transporte público e escolas.

Rodrigo Azevedo, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, reforça a necessidade de policiamento extensivo e de políticas robustas de reassentamento para prevenir o aumento da criminalidade e assegurar a estabilidade social e econômica da região.

Referências

  • AZEVEDO, L. F. “Efeito Katrina: especialistas alertam para risco de crise de segurança no RS após tragédia”. O Globo, Rio de Janeiro, 2024.
  • OLIVEIRA, C. “Impactos da criminalidade pós-desastres naturais”. Universidade Federal do Rio Grande, 2024.
  • CARON, S. “Declarações sobre segurança pública no Rio Grande do Sul”. Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul, 2024.
  • AZEVEDO, R. “Análise de políticas de reassentamento pós-tragédias”. Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 2024.

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Sobre marcelo barros

Jornalista (MTB 38082/RJ). Graduado em Sistemas de Informação pela Estácio de Sá (2009). Pós-graduado em Assessoria de Comunicação (UNIALPHAVILLE), MBA em Jornalismo Digital (UNIALPHAVILLE), Administração de Banco de Dados (UNESA), pós-graduado em Gestão da Tecnologia da Informação e Comunicação (UCAM) e MBA em Gestão de Projetos e Processos (UCAM). Atualmente é o vice-presidente do Instituto de Defesa Cibernética (www.idciber.org), editor-chefe do Defesa em Foco (www.defesaemfoco.com.br), revista eletrônica especializado em Defesa e Segurança, co-fundador do portal DCiber.org (www.dciber.org), especializado em Defesa Cibernética. Participo também como pesquisador voluntário no Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da Escola de Guerra Naval (EGN) nos subgrupos de Cibersegurança, Internet das Coisas e Inteligência Artificial. Especializações em Inteligência e Contrainteligência na ABEIC, Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa na ESG, Curso Avançado em Jogos de Guerra, Curso de Extensão em Defesa Nacional na ESD, entre outros. Atuo também como responsável da parte da tecnologia da informação do Projeto Radar (www.projetoradar.com.br), do Grupo Economia do Mar (www.grupoeconomiadomar.com.br) e Observatório de Políticas do Mar (www.observatoriopoliticasmar.com.br) ; e sócio da Editora Alpheratz (www.alpheratz.com.br).

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