Joel Rodrigues / Agência Brasil

A VIOLÊNCIA CONTRA EDUCADORES

A violência contra educadores é uma problemática crescente no Brasil, com impactos significativos na qualidade e sustentabilidade da educação democrática. O lançamento da pesquisa nacional pelo Observatório Nacional da Violência contra Educadoras/es (Onve) marca um passo crucial na compreensão e combate dessa questão. Coordenada pelo professor Fernando Penna da Universidade Federal Fluminense (UFF), a pesquisa intitulada “A violência contra educadores como ameaça à educação democrática: um estudo sobre a perseguição de educadores no Brasil” visa mapear e analisar as experiências de violência vividas por profissionais da educação em diferentes níveis e esferas.

Objetivos da Pesquisa

O objetivo principal da pesquisa é produzir dados robustos que subsidiem a elaboração de políticas públicas eficazes para mitigar a violência contra educadores. Fernando Penna destaca que todos os profissionais da educação, desde diretores e professores até merendeiras e porteiros, estão convidados a participar, permitindo uma visão abrangente do problema. A coleta de dados será feita por meio de um formulário online disponível no site do Observatório, com o prazo para respostas até o final de julho de 2024. Em agosto, será realizada uma análise preliminar das respostas, com a divulgação dos resultados prevista para setembro.

Metodologia e Participação

A metodologia da pesquisa inclui um questionário estruturado que permite tanto a identificação de experiências de violência quanto a confirmação da ausência dessas vivências. A abordagem inclusiva garante que todos os educadores, independentemente de terem sido vítimas de violência, possam contribuir. O sucesso da pesquisa depende de uma ampla participação, e o Observatório já registrou 400 respondentes nas primeiras duas semanas de campo.

Políticas Públicas e Protocolos de Ação

Um dos desdobramentos mais importantes da pesquisa é a criação de um banco de dados que permitirá estimativas detalhadas sobre a violência contra educadores em todo o Brasil. Esses dados serão fundamentais para a elaboração de políticas públicas pelo Ministério da Educação (MEC) e governos estaduais e municipais. O Observatório também está desenvolvendo protocolos de acolhimento jurídico e psicológico para educadores que sofrem violência, em parceria com a sociedade civil e sindicatos. Essas ações buscam suprir as principais demandas identificadas em pesquisas anteriores, onde o apoio jurídico e psicológico foi destacado como uma necessidade crítica.

Parcerias Institucionais

A pesquisa é fruto de uma colaboração entre diversas instituições de ensino e pesquisa, incluindo a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) e a Universidade Federal do ABC (UFABC). Essas parcerias reforçam a abrangência e a credibilidade do estudo. Além disso, o acordo de cooperação com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania para a criação de um protocolo específico de encaminhamento de violações de direitos humanos de educadores, em parceria com o Disque 100, evidencia o compromisso com a proteção e o suporte a esses profissionais.

Impacto e Expectativas

O vice-reitor da UFF, Fabio Barboza Passos, ressaltou a importância da discussão sobre a violência contra professores para garantir uma sociedade que valorize o debate democrático e a troca de ideias. O coordenador geral em Políticas Educacionais em Direitos Humanos do MEC, Erasto Fortes Mendonça, enfatizou que os dados gerados pela pesquisa serão fundamentais para a formulação de políticas públicas de proteção aos educadores.

Referências:

Gandra, A. (2024, 7 de junho). Pesquisa nacional quer investigar a violência contra educadores. Agência Brasil. Recuperado de https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2024-06/pesquisa-nacional-quer-investigar-violencia-contra-educadores.

Sobre marcelo barros

Jornalista (MTB 38082/RJ). Graduado em Sistemas de Informação pela Estácio de Sá (2009). Pós-graduado em Assessoria de Comunicação (UNIALPHAVILLE), MBA em Jornalismo Digital (UNIALPHAVILLE), Administração de Banco de Dados (UNESA), pós-graduado em Gestão da Tecnologia da Informação e Comunicação (UCAM) e MBA em Gestão de Projetos e Processos (UCAM). Atualmente é o vice-presidente do Instituto de Defesa Cibernética (www.idciber.org), editor-chefe do Defesa em Foco (www.defesaemfoco.com.br), revista eletrônica especializado em Defesa e Segurança, co-fundador do portal DCiber.org (www.dciber.org), especializado em Defesa Cibernética. Participo também como pesquisador voluntário no Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da Escola de Guerra Naval (EGN) nos subgrupos de Cibersegurança, Internet das Coisas e Inteligência Artificial. Especializações em Inteligência e Contrainteligência na ABEIC, Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa na ESG, Curso Avançado em Jogos de Guerra, Curso de Extensão em Defesa Nacional na ESD, entre outros. Atuo também como responsável da parte da tecnologia da informação do Projeto Radar (www.projetoradar.com.br), do Grupo Economia do Mar (www.grupoeconomiadomar.com.br) e Observatório de Políticas do Mar (www.observatoriopoliticasmar.com.br) ; e sócio da Editora Alpheratz (www.alpheratz.com.br).

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