Fernando Frazão / Agência Brasil

CONSERVAÇÃO MARINHA: MAIS DE 70% DAS ESPÉCIES AMEAÇADAS BUSCAM REFÚGIO EM ÁREAS PROTEGIDAS

A preservação da biodiversidade marinha é um dos desafios mais críticos do século XXI. De acordo com o Relatório sobre o Estado do Oceano (StOR), divulgado pela Unesco em 3 de junho de 2024, 72% das 1.473 espécies ameaçadas de extinção encontram abrigo em Áreas Marinhas Protegidas (AMPs). Este relatório sublinha a importância dessas áreas na conservação dos ecossistemas marinhos, segurança alimentar e mitigação dos impactos das mudanças climáticas.

Áreas Marinhas Protegidas: Papel e Importância

As AMPs são zonas especialmente demarcadas para a conservação da biodiversidade e dos recursos naturais marinhos. Nestas áreas, são implementadas políticas de desenvolvimento sustentável, promoção do turismo ecológico e regulamentação da pesca. No Brasil, 27% do mar territorial é protegido por estas unidades de conservação, desempenhando um papel vital na manutenção da saúde dos oceanos.

Impactos das Mudanças Climáticas nos Oceanos

O relatório da Unesco destaca os efeitos devastadores do aquecimento global sobre os oceanos. As principais preocupações incluem a elevação da temperatura da água, acidificação, redução dos níveis de oxigênio e aumento do nível do mar. Desde a década de 1960, os oceanos perderam 2% de seu oxigênio, resultando na formação de “zonas mortas”, áreas com níveis extremamente baixos de oxigênio, inadequadas para a maioria das formas de vida marinha.

Contribuição das AMPs para a Biodiversidade

A preservação das AMPs é essencial para a biodiversidade marinha. Ecossistemas costeiros, como manguezais e pântanos de maré, são especialmente eficazes na absorção de carbono, sendo capazes de reter cinco vezes mais carbono que florestas terrestres. Apesar disso, entre 20% e 35% desses ecossistemas foram perdidos desde a década de 1970, necessitando de maiores esforços de conservação.

Desafios Adicionais: Eutrofização e Poluição Plástica

A eutrofização, resultado do excesso de nutrientes como nitrogênio e fósforo nos oceanos, e a poluição plástica são outras ameaças significativas. A proliferação de algas tóxicas, causada pela eutrofização, prejudica o equilíbrio ecológico marinho. Além disso, a ingestão de microplásticos por peixes representa um risco crescente para a saúde humana. O relatório enfatiza a necessidade urgente de mecanismos globais para rastrear e mitigar a poluição por nutrientes e plásticos.

Sustentabilidade e Segurança Alimentar

A sustentabilidade dos recursos marinhos é fundamental para a segurança alimentar global. Com a previsão de um aumento populacional de 2 bilhões de pessoas nos próximos 25 anos, a pressão sobre a produção de alimentos marinhos aumentará. Em 2021, a produção da pesca e aquicultura atingiu um recorde de 218 milhões de toneladas. Uma compreensão aprofundada do papel dos alimentos aquáticos é crucial para enfrentar os desafios nutricionais e ambientais futuros.

Referências

  • RODRIGUES, Léo. Mais de 70% de espécies ameaçadas buscam Áreas Marinhas Protegidas. Agência Brasil, Rio de Janeiro, 04 jun. 2024. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2024-06/mais-de-70-de-especies-ameacadas-buscam-areas-marinhas-protegidas. Acesso em: 04 jun. 2024.
  • Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). (2024). Relatório sobre o Estado do Oceano (StOR). Paris: Unesco.
  • Ministério do Meio Ambiente. (2023). Unidades de Conservação Marinha no Brasil. Brasília: Ministério do Meio Ambiente.

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Sobre marcelo barros

Jornalista (MTB 38082/RJ). Graduado em Sistemas de Informação pela Estácio de Sá (2009). Pós-graduado em Assessoria de Comunicação (UNIALPHAVILLE), MBA em Jornalismo Digital (UNIALPHAVILLE), Administração de Banco de Dados (UNESA), pós-graduado em Gestão da Tecnologia da Informação e Comunicação (UCAM) e MBA em Gestão de Projetos e Processos (UCAM). Atualmente é o vice-presidente do Instituto de Defesa Cibernética (www.idciber.org), editor-chefe do Defesa em Foco (www.defesaemfoco.com.br), revista eletrônica especializado em Defesa e Segurança, co-fundador do portal DCiber.org (www.dciber.org), especializado em Defesa Cibernética. Participo também como pesquisador voluntário no Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da Escola de Guerra Naval (EGN) nos subgrupos de Cibersegurança, Internet das Coisas e Inteligência Artificial. Especializações em Inteligência e Contrainteligência na ABEIC, Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa na ESG, Curso Avançado em Jogos de Guerra, Curso de Extensão em Defesa Nacional na ESD, entre outros. Atuo também como responsável da parte da tecnologia da informação do Projeto Radar (www.projetoradar.com.br), do Grupo Economia do Mar (www.grupoeconomiadomar.com.br) e Observatório de Políticas do Mar (www.observatoriopoliticasmar.com.br) ; e sócio da Editora Alpheratz (www.alpheratz.com.br).

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