Agência Brasil

O FATOR CHINA E OS 200 ANOS DE RELAÇÕES ENTRE BRASIL E ESTADOS UNIDOS

A celebração dos 200 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos foi marcada não apenas por eventos protocolares, mas também pela crescente tensão entre Washington e Pequim. A visita da general Laura Richardson, chefe do Comando Sul dos EUA, trouxe à tona críticas à China e um alerta para os riscos de o Brasil se envolver no projeto chinês da Rota da Seda. Este artigo explora as dinâmicas geopolíticas envolvidas e as estratégias que o Brasil pode adotar para beneficiar-se dessa disputa entre potências.

Histórico das Relações Bilaterais

Brasil e Estados Unidos mantêm uma relação diplomática que remonta a 1824, marcada por uma série de cooperações e conflitos ao longo dos séculos. No contexto atual, essa relação é influenciada pela rivalidade crescente entre EUA e China, especialmente no que tange à influência econômica e política na América Latina.

Críticas de Washington e Resposta de Pequim

Durante sua visita ao Brasil, a general Laura Richardson criticou abertamente a China, alertando sobre os riscos associados ao envolvimento brasileiro na Iniciativa do Cinturão e Rota (ou Rota da Seda). Segundo Richardson, a participação do Brasil nesse projeto pode comprometer a soberania e a segurança nacional, dada a natureza autoritária do regime chinês e seu histórico de desrespeito aos direitos humanos.

Em resposta, a Embaixada do Brasil na China emitiu uma nota acusando os EUA de adotar uma mentalidade da Guerra Fria e de tentar distorcer a percepção pública para desmoralizar a China e prejudicar a cooperação sino-brasileira.

Perspectiva dos Especialistas

Para o sociólogo Raphael Seabra, da Universidade de Brasília (UnB), as declarações de Richardson refletem uma tentativa dos EUA de isolar a China e fomentar divisões entre os governos latino-americanos. Ele observa que essa postura também denota um certo desespero dos EUA diante de sua crise industrial e do avanço econômico chinês.

O professor de relações internacionais Alexandre Pires, do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), destaca que os EUA buscam conquistar o Brasil como aliado em sua contenção da China. No entanto, para que o Brasil se alinhe aos interesses norte-americanos, é necessário que haja benefícios concretos para o país.

Brasil Entre Potências: Estratégias de Aproveitamento

O Brasil encontra-se em uma posição estratégica que pode ser explorada para obter vantagens na disputa entre EUA e China. Alexandre Pires sugere que o país deve equilibrar-se cuidadosamente nessa guerra econômica, buscando maximizar os benefícios e minimizar os riscos de retaliações. A ênfase deve estar em áreas críticas como transição energética, terras raras e controle de mercado de recursos.

Raphael Seabra ressalta que o Brasil deve inspirar-se em políticas como as de Getúlio Vargas, que negociou acordos vantajosos com os EUA durante a presidência de Franklin Delano Roosevelt, fortalecendo a indústria nacional.

Comércio Exterior: Dados e Implicações

Desde 2009, a China é o maior parceiro comercial do Brasil. Em 2023, o comércio bilateral superou os US$ 157 bilhões, representando 30% das exportações brasileiras e 22% das importações. Os EUA, por sua vez, são o segundo maior parceiro comercial, com um fluxo de comércio de quase US$ 75 bilhões. Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) destacam a importância de ambos os países para a economia brasileira, tornando essencial uma estratégia diplomática equilibrada.

Referência

LEÓN, Lucas Pordeus. Fator China marca 200 anos de relações entre Brasil e Estados Unidos. Agência Brasil, Brasília, 31 maio 2024. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2024-05/fator-china-marca-200-anos-de-relacoes-entre-brasil-e-estados-unidos. Acesso em: 01 jun. 2024.

Sobre marcelo barros

Jornalista (MTB 38082/RJ). Graduado em Sistemas de Informação pela Estácio de Sá (2009). Pós-graduado em Assessoria de Comunicação (UNIALPHAVILLE), MBA em Jornalismo Digital (UNIALPHAVILLE), Administração de Banco de Dados (UNESA), pós-graduado em Gestão da Tecnologia da Informação e Comunicação (UCAM) e MBA em Gestão de Projetos e Processos (UCAM). Atualmente é o vice-presidente do Instituto de Defesa Cibernética (www.idciber.org), editor-chefe do Defesa em Foco (www.defesaemfoco.com.br), revista eletrônica especializado em Defesa e Segurança, co-fundador do portal DCiber.org (www.dciber.org), especializado em Defesa Cibernética. Participo também como pesquisador voluntário no Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da Escola de Guerra Naval (EGN) nos subgrupos de Cibersegurança, Internet das Coisas e Inteligência Artificial. Especializações em Inteligência e Contrainteligência na ABEIC, Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa na ESG, Curso Avançado em Jogos de Guerra, Curso de Extensão em Defesa Nacional na ESD, entre outros. Atuo também como responsável da parte da tecnologia da informação do Projeto Radar (www.projetoradar.com.br), do Grupo Economia do Mar (www.grupoeconomiadomar.com.br) e Observatório de Políticas do Mar (www.observatoriopoliticasmar.com.br) ; e sócio da Editora Alpheratz (www.alpheratz.com.br).

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One comment

  1. FAUSTINO LUIZ BIAVATI

    Com esse desgoverno, pró socialismo, corremos sério risco nas relações com os EUA.
    A dependência do Brasil impõe muito cuidado com os passos diplomáticos a serem dados.
    Basta os EUA, resolverem retaliar o Brasil, e teremos as portas abertas para os chineses ocuparem as mais diversas áreas críticas de nossos pais! E os chineses, nesse ponto, são exatamente como o cupim: quando o descobrimos, eles já fizeram e estão fazendo um enorme estrago!

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