DEFESA REGIONAL: BRASIL E EUA FORTALECEM PARCERIA CONTRA AVANÇO CHINÊS

O fortalecimento da cooperação militar entre Brasil e Estados Unidos reflete a preocupação crescente com a influência chinesa na América Latina. A visita da General Laura Richardson, comandante das Forças Navais do Comando Sul dos EUA, ressalta a importância da união entre democracias para enfrentar desafios comuns.

Cooperação Militar e Geopolítica

A realização dos exercícios navais Southern Seas 2024, que incluiu a participação do porta-aviões USS George Washington, evidencia a solidez das relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos. Estes exercícios não apenas reforçam a interoperabilidade das forças armadas, mas também enviam uma mensagem clara sobre a coesão estratégica entre as duas maiores democracias do continente americano. Como destacado por Richardson, essa parceria se diferencia das relações mantidas com a China, destacando o respeito mútuo e a valorização da soberania.

Ameaças e Desafios Comuns

A General Richardson destaca a crescente presença da China na América Latina como uma preocupação central, alertando para os riscos associados à Belt and Road Initiative. Ela aponta que, embora inicialmente atrativa, a iniciativa chinesa frequentemente implica em perda de soberania para os países participantes. Richardson enfatiza a necessidade de uma análise cuidadosa dos termos e condições desses acordos, que muitas vezes favorecem unilateralmente os interesses chineses.

Além disso, a general sublinha a importância de enfrentar as organizações criminosas transnacionais que contribuem para a instabilidade na região. Ela sugere que essas organizações, ao promoverem a insegurança, criam um ambiente propício para a influência chinesa. Richardson argumenta que o combate a essas ameaças exige uma colaboração mais estreita entre as democracias da região, bem como um aumento significativo nos investimentos econômicos para fomentar a estabilidade.

Impacto Econômico e Social

Richardson realça que a segurança econômica é essencial para a segurança nacional. Ela destaca os esforços dos EUA em promover investimentos de qualidade na América Latina, que trazem benefícios reais para as comunidades locais. Os projetos de infraestrutura apoiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento e pela Corporação Financeira para o Desenvolvimento são exemplos de como os EUA buscam fortalecer as economias locais e, consequentemente, a estabilidade regional.

A General também enfatiza a importância do soft power dos EUA na região, que vai além do poder militar e inclui assistência humanitária e resposta a desastres. Programas de parceria, como o da Guarda Nacional de Nova York com o Brasil, são vitais para o fortalecimento das relações bilaterais e a promoção de valores democráticos.

Relações Bilaterais e Futuro

A celebração dos 200 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos marca um momento de reflexão sobre o futuro dessa parceria estratégica. Richardson reafirma o compromisso dos EUA em trabalhar em conjunto com o Brasil para enfrentar desafios comuns e promover a prosperidade e segurança na região. Ela conclui destacando a resiliência e a importância de ambas as nações em continuar a colaborar para um futuro mais seguro e próspero.

Referências:

RICHARDSON, Laura. General americana mira China e diz que Brasil e EUA têm de se unir. Valor Econômico, 24 maio 2024. Disponível em: https://valor.globo.com/brasil/noticia/2024/05/24/general-americana-mira-china-e-diz-que-brasil-e-eua-tem-de-se-unir.ghtml. Acesso em: 28 maio 2024.

Sobre marcelo barros

Jornalista (MTB 38082/RJ). Graduado em Sistemas de Informação pela Estácio de Sá (2009). Pós-graduado em Assessoria de Comunicação (UNIALPHAVILLE), MBA em Jornalismo Digital (UNIALPHAVILLE), Administração de Banco de Dados (UNESA), pós-graduado em Gestão da Tecnologia da Informação e Comunicação (UCAM) e MBA em Gestão de Projetos e Processos (UCAM). Atualmente é o vice-presidente do Instituto de Defesa Cibernética (www.idciber.org), editor-chefe do Defesa em Foco (www.defesaemfoco.com.br), revista eletrônica especializado em Defesa e Segurança, co-fundador do portal DCiber.org (www.dciber.org), especializado em Defesa Cibernética. Participo também como pesquisador voluntário no Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da Escola de Guerra Naval (EGN) nos subgrupos de Cibersegurança, Internet das Coisas e Inteligência Artificial. Especializações em Inteligência e Contrainteligência na ABEIC, Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa na ESG, Curso Avançado em Jogos de Guerra, Curso de Extensão em Defesa Nacional na ESD, entre outros. Atuo também como responsável da parte da tecnologia da informação do Projeto Radar (www.projetoradar.com.br), do Grupo Economia do Mar (www.grupoeconomiadomar.com.br) e Observatório de Políticas do Mar (www.observatoriopoliticasmar.com.br) ; e sócio da Editora Alpheratz (www.alpheratz.com.br).

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