Imagem: Prefeitura do Rio de Janeiro

CIDADES INTELIGENTES: CENTROS DE OPERAÇÕES COM IA PARA ENFRENTAR EVENTOS CLIMÁTICOS EXTREMOS

A crescente frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos têm desafiado a gestão urbana em todo o mundo. No Brasil, a cidade do Rio de Janeiro tem se destacado pela implementação do Centro de Operações Rio (COR Rio), que utiliza tecnologias avançadas, incluindo inteligência artificial (IA), para monitorar e mitigar os impactos desses eventos. Este artigo explora a nova “Prática Recomendada ABNT PR 1021 – Centro de Operações de Cidade – Implementação”, lançada pela prefeitura do Rio de Janeiro em parceria com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que oferece um manual detalhado para a criação de centros de operações municipais, visando à resiliência urbana.

COR Rio: Um Modelo de Vanguarda

Inaugurado em 31 de dezembro de 2010, o COR Rio representa um avanço significativo na gestão urbana, combinando tecnologia de ponta e integração de dados para monitorar a cidade em tempo real. Com uma equipe de 500 profissionais trabalhando em turnos 24/7 e mais de 3.500 câmeras espalhadas pela cidade, o centro utiliza um videowall de 104 m² composto por 125 telas de 55 polegadas, oferecendo uma visão abrangente do município.

Expansão e Integração

Desde sua inauguração, o COR Rio passou por expansões significativas, especialmente no fim de 2022, ampliando sua capacidade de monitoramento e análise. O centro integra dados de diversos órgãos municipais, estaduais e federais, incluindo a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros, a Polícia Civil, a Marinha do Brasil, concessionárias de serviços e modais de transporte. Essa integração permite a elaboração de mapas de calor e protocolos operacionais baseados em dados precisos, facilitando a tomada de decisões em situações de risco.

Inteligência Artificial e Resiliência Urbana

A implementação da IA no COR Rio tem se mostrado essencial para a análise de grandes volumes de dados, superando a capacidade humana. A IA analisa as imagens e dados históricos, aprimorando a capacidade preditiva do centro e permitindo uma resposta mais rápida e assertiva a eventos climáticos extremos. Esta tecnologia não apenas melhora a eficiência operacional, mas também contribui para a segurança e qualidade de vida dos cidadãos, potencialmente salvando vidas.

Capacitação Computacional

Com parcerias estratégicas com a Nasa e empresas de tecnologia como Waze, Google e Amazon, o COR Rio tem acesso a um volume crescente de dados, que são continuamente analisados pela IA. A capacidade computacional avançada permite que o centro transforme dados históricos em insights acionáveis, aprimorando os protocolos de resposta e comunicação com a população.

A Prática Recomendada ABNT PR 1021

O lançamento da “Prática Recomendada ABNT PR 1021 – Centro de Operações de Cidade – Implementação” marca um passo importante na disseminação das metodologias de resiliência urbana desenvolvidas pelo COR Rio para outras cidades brasileiras. Este manual fornece diretrizes detalhadas para a criação de centros de operações, adaptadas ao porte e necessidades específicas de cada município.

Normas e Estágios de Cidade

A norma inclui a formatação dos estágios de cidade, que são pontos de partida para a ativação de protocolos operacionais e comunicações estratégicas com a população. Esses estágios ajudam os cidadãos a compreenderem e responderem adequadamente aos cenários de risco, promovendo uma cultura de prevenção e segurança.

Financiamento e Expansão

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) autorizou um investimento de quase R$ 30 milhões para o projeto de IA do COR Rio. Adicionalmente, a prefeitura do Rio receberá R$ 117 milhões para ações de resposta a desastres, governo digital e gestão urbana inteligente, como parte do Programa de Modernização da Administração Tributária e da Gestão dos Setores Sociais Básicos (PMAT).

Referências

AGÊNCIA BRASIL. País poderá ter centros com uso de IA para eventos climáticos extremos. 2024. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2024-05/pais-podera-ter-centros-com-uso-de-ia-para-eventos-climaticos-extremos. Acesso em: 28 maio 2024.

VISITA DE DISCENTES DO COLÉGIO DE DEFESA NACIONAL DA ÍNDIA À ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA

Sobre marcelo barros

Jornalista (MTB 38082/RJ). Graduado em Sistemas de Informação pela Estácio de Sá (2009). Pós-graduado em Assessoria de Comunicação (UNIALPHAVILLE), MBA em Jornalismo Digital (UNIALPHAVILLE), Administração de Banco de Dados (UNESA), pós-graduado em Gestão da Tecnologia da Informação e Comunicação (UCAM) e MBA em Gestão de Projetos e Processos (UCAM). Atualmente é o vice-presidente do Instituto de Defesa Cibernética (www.idciber.org), editor-chefe do Defesa em Foco (www.defesaemfoco.com.br), revista eletrônica especializado em Defesa e Segurança, co-fundador do portal DCiber.org (www.dciber.org), especializado em Defesa Cibernética. Participo também como pesquisador voluntário no Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da Escola de Guerra Naval (EGN) nos subgrupos de Cibersegurança, Internet das Coisas e Inteligência Artificial. Especializações em Inteligência e Contrainteligência na ABEIC, Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa na ESG, Curso Avançado em Jogos de Guerra, Curso de Extensão em Defesa Nacional na ESD, entre outros. Atuo também como responsável da parte da tecnologia da informação do Projeto Radar (www.projetoradar.com.br), do Grupo Economia do Mar (www.grupoeconomiadomar.com.br) e Observatório de Políticas do Mar (www.observatoriopoliticasmar.com.br) ; e sócio da Editora Alpheratz (www.alpheratz.com.br).

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