Foto: Reprodução / Agência Espacial Europeia

A ANOMALIA MAGNÉTICA SOBRE O BRASIL: EXPANSÃO E MONITORAMENTO PELA NASA

A Anomalia do Atlântico Sul (AAS), uma região onde o campo magnético da Terra é significativamente enfraquecido, tem atraído atenção crescente devido ao seu impacto na tecnologia espacial e à sua expansão contínua. Este artigo analisa o fenômeno, seu monitoramento pela NASA e outras agências, e suas implicações para a pesquisa científica e a operação de satélites.

O que é a Anomalia do Atlântico Sul?

A Anomalia do Atlântico Sul é uma área onde o campo magnético da Terra é mais fraco do que em outras regiões. Localizada sobre a América do Sul e o sul do Oceano Atlântico, essa anomalia permite que partículas carregadas do Sol, como radiação cósmica e ventos solares, se aproximem mais da superfície da Terra do que o normal. De acordo com a NASA, a intensidade do campo magnético nessa região é cerca de um terço da média global .

Monitoramento e Pesquisa

Agências Envolvidas

A AAS é monitorada por diversas instituições, incluindo a NASA, a Agência Nacional de Inteligência Geoespacial (NGA) dos Estados Unidos e o Centro Geográfico de Defesa (DGC) do Reino Unido. O Brasil também participa do monitoramento por meio de observatórios magnéticos e do nanossatélite NanosatC-BR2, lançado em 2021 em parceria com a Agência Espacial Russa .

Impacto na Tecnologia Espacial

A radiação elevada na AAS pode causar danos significativos a satélites, incluindo a interferência na coleta de dados e a falha dos computadores de bordo. Por isso, satélites que atravessam essa região frequentemente entram em modo de espera para proteger seus componentes. A NASA e outras agências espaciais monitoram a AAS para prever e mitigar esses efeitos adversos .

Expansão e Mudanças Recentes

Crescimento da Anomalia

Relatórios recentes indicam que a AAS está se expandindo e se movendo para o oeste. Entre 2020 e 2024, a área da anomalia aumentou aproximadamente 7%, um crescimento que gera preocupação sobre os impactos futuros em satélites e outros equipamentos tecnológicos .

Divisão da Anomalia

Além de se expandir, a AAS está se dividindo em duas áreas distintas, o que apresenta novos desafios para missões espaciais. Esta divisão pode complicar ainda mais a navegação e a operação de satélites na região afetada .

Implicações Científicas

Pesquisas em Andamento

A AAS é de grande interesse científico, não apenas pelos desafios tecnológicos que apresenta, mas também pelo que revela sobre o campo magnético da Terra. A NASA utiliza dados da anomalia para estudar como as mudanças no campo magnético afetam a atmosfera terrestre e para obter insights sobre os processos internos do planeta .

Estudos Históricos

Pesquisas indicam que a AAS não é um fenômeno novo. Um estudo da Universidade de Liverpool, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences em 2020, rastreou a anomalia até 11 milhões de anos atrás. Isso sugere que a AAS faz parte das variações naturais do campo magnético da Terra .

Conclusão

A Anomalia do Atlântico Sul representa um desafio contínuo para a operação de satélites e oferece uma oportunidade única para estudos sobre o campo magnético da Terra. O monitoramento constante e a pesquisa colaborativa entre agências internacionais são essenciais para mitigar os impactos tecnológicos e aprofundar nossa compreensão desse fenômeno complexo.

Referências

O GLOBO. O que é a anomalia magnética que fica sobre o Brasil, está crescendo e é monitorada pela Nasa. Rio de Janeiro, 25 maio 2024. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2024-05/apos-desvios-mp-pede-que-exercito-entregue-doacoes-em-eldorado-do-sul. Acesso em: 26 maio 2024.

GUERRA DA LAGOSTA: UMA ANÁLISE DETALHADA DO CONFLITO BRASIL-FRANÇA (1961-1963)

Sobre marcelo barros

Jornalista (MTB 38082/RJ). Graduado em Sistemas de Informação pela Estácio de Sá (2009). Pós-graduado em Assessoria de Comunicação (UNIALPHAVILLE), MBA em Jornalismo Digital (UNIALPHAVILLE), Administração de Banco de Dados (UNESA), pós-graduado em Gestão da Tecnologia da Informação e Comunicação (UCAM) e MBA em Gestão de Projetos e Processos (UCAM). Atualmente é o vice-presidente do Instituto de Defesa Cibernética (www.idciber.org), editor-chefe do Defesa em Foco (www.defesaemfoco.com.br), revista eletrônica especializado em Defesa e Segurança, co-fundador do portal DCiber.org (www.dciber.org), especializado em Defesa Cibernética. Participo também como pesquisador voluntário no Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da Escola de Guerra Naval (EGN) nos subgrupos de Cibersegurança, Internet das Coisas e Inteligência Artificial. Especializações em Inteligência e Contrainteligência na ABEIC, Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa na ESG, Curso Avançado em Jogos de Guerra, Curso de Extensão em Defesa Nacional na ESD, entre outros. Atuo também como responsável da parte da tecnologia da informação do Projeto Radar (www.projetoradar.com.br), do Grupo Economia do Mar (www.grupoeconomiadomar.com.br) e Observatório de Políticas do Mar (www.observatoriopoliticasmar.com.br) ; e sócio da Editora Alpheratz (www.alpheratz.com.br).

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