Domínio Público

A CAPITULAÇÃO DA CAMPINA DO TABORDA: O FIM DO BRASIL HOLANDÊS

O dia 26 de janeiro deste ano marcou os 370 anos do fim de uma das mais fascinantes experiências da história brasileira: o Brasil Holandês. Durante 25 anos, uma parte significativa do território nacional esteve sob o domínio e a administração de uma cultura distinta da ibérica, trazendo profundas implicações para o desenvolvimento histórico e social do país. Este artigo detalha o término do período de ocupação holandesa no Nordeste brasileiro, focando especialmente na capitulação da Campina do Taborda.

Contexto Histórico

Após a 2ª Batalha dos Guararapes

Após a decisiva 2ª Batalha dos Guararapes, em 19 de fevereiro de 1649, as forças holandesas se retiraram para Recife, desmoralizadas e enfraquecidas. O domínio holandês, que se estendia ao longo da costa nordestina desde partes do Ceará até o atual Sergipe, dependia de alianças com grupos indígenas, particularmente os Tapuias. No entanto, essa ocupação era frágil, limitada a praças-fortes e constantemente ameaçada pelas forças luso-brasileiras que estavam altamente motivadas a cumprir o Compromisso Imortal firmado em 1645.

No contexto internacional, o fim da Guerra dos 30 Anos e da Guerra dos 80 Anos, através da Paz de Vestfália, mudou o panorama europeu. Portugal, que havia restaurado sua independência da Espanha em 1640, firmou uma trégua de 10 anos com a República das Sete Províncias Unidas em 1641, mas apoiava secretamente a insurreição brasileira contra os holandeses. A fundação da Companhia Geral do Comércio do Brasil em 1649, com a missão de armar e enviar uma frota anual de 36 navios de guerra, intensificou a resistência luso-brasileira.

O Último Ano da Ocupação Holandesa

O ano de 1653 foi particularmente difícil para os holandeses no Brasil. Em junho, Michiel van Goch, membro do Supremo-Conselho da WIC, voltou à Holanda para pedir ajuda, mas recebeu poucas respostas. A situação piorou com o início da 1ª Guerra Anglo-Holandesa em 1652, desviando recursos vitais para a defesa da Nova Holanda. A chegada da frota da Companhia Geral do Comércio do Brasil, sob o comando do almirante Pedro Jaques de Magalhães, em dezembro de 1653, foi o golpe final para os holandeses sitiados em Recife.

A Capitulação da Campina do Taborda

Em 15 de janeiro de 1654, começaram as operações militares que levariam à queda das posições defensivas holandesas ao redor de Recife. Em 23 de janeiro, o comandante da guarnição do Forte das Cinco Pontas, Waulter van Loos, pediu uma trégua. As negociações ocorreram na campina em frente ao Forte das Cinco Pontas, conhecida como Campina do Taborda. Em 26 de janeiro, a capitulação foi assinada, encerrando a ocupação holandesa no Brasil.

Termos da Rendição

O termo de rendição incluía anistia para todos os colaboradores holandeses, permitindo que permanecessem no Brasil se desejassem, e estabelecia um prazo de três meses para resolverem seus negócios antes de partir. As fortificações e armamentos da Nova Holanda foram entregues às forças luso-brasileiras, e no dia 28 de janeiro, o General Francisco Barreto entrou em Recife, marcando o fim do domínio holandês.

Consequências da Capitulação

A capitulação da Campina do Taborda teve várias consequências significativas. Ela pôs fim às invasões estrangeiras no território brasileiro, consolidou a unidade territorial e contribuiu para a criação de uma identidade nacional brasileira. A resistência bem-sucedida dos luso-brasileiros, incluindo negros, indígenas e brancos, contra um dos exércitos mais poderosos da Europa, destacou a importância da união e da diversidade na formação do Brasil.

Conclusão

A capitulação da Campina do Taborda marcou o fim do Brasil Holandês e teve um impacto duradouro na construção da identidade nacional brasileira. A resistência unificada de diferentes grupos étnicos contra o domínio holandês não apenas preservou a integridade territorial do Brasil, mas também estabeleceu as bases para a construção de uma nação diversa e resiliente.

Referências

ROSA, Carlos Mário de Souza Santos. Capitulação da campina do Taborda: o fim do Brasil holandês. Disponível em: https://eblog.eb.mil.br/w/capitulação-da-campina-do-taborda-o-fim-do-brasil-holandês. Acesso em: 23 maio 2024.

Sobre marcelo barros

Jornalista (MTB 38082/RJ). Graduado em Sistemas de Informação pela Estácio de Sá (2009). Pós-graduado em Assessoria de Comunicação (UNIALPHAVILLE), MBA em Jornalismo Digital (UNIALPHAVILLE), Administração de Banco de Dados (UNESA), pós-graduado em Gestão da Tecnologia da Informação e Comunicação (UCAM) e MBA em Gestão de Projetos e Processos (UCAM). Atualmente é o vice-presidente do Instituto de Defesa Cibernética (www.idciber.org), editor-chefe do Defesa em Foco (www.defesaemfoco.com.br), revista eletrônica especializado em Defesa e Segurança, co-fundador do portal DCiber.org (www.dciber.org), especializado em Defesa Cibernética. Participo também como pesquisador voluntário no Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da Escola de Guerra Naval (EGN) nos subgrupos de Cibersegurança, Internet das Coisas e Inteligência Artificial. Especializações em Inteligência e Contrainteligência na ABEIC, Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa na ESG, Curso Avançado em Jogos de Guerra, Curso de Extensão em Defesa Nacional na ESD, entre outros. Atuo também como responsável da parte da tecnologia da informação do Projeto Radar (www.projetoradar.com.br), do Grupo Economia do Mar (www.grupoeconomiadomar.com.br) e Observatório de Políticas do Mar (www.observatoriopoliticasmar.com.br) ; e sócio da Editora Alpheratz (www.alpheratz.com.br).

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